sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

‘Militares combatiam subversão real e imaginária’, diz memorando da CIA aos EUA

Para o departamento de inteligência americano, militares estavam paranoicos com a “subversão” no Brasil
Polícia reprime manifestantes "subversivos" na ditadura - Foto: Agência Brasil
Polícia reprime manifestantes “subversivos” na ditadura – Foto: Agência Brasil
O medo de “subversão” não é privilégio de quem pede o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Há 47 anos, o combate de militares brasileiros à “ameaça comunista” durante a ditadura foi motivo de preocupação até para CIA, a agência de inteligência americana. Faltando dois dias para a publicação do AI-5 (ato que fechou o Congresso e endureceu a repressão), em 1968, a agência enviou um comunicado ao então presidente Lyndon Johnson em que descreve a “perigosa” paranoia das Forças Armadas.
O documento, considerado ultrassecreto, foi tornado público recentemente. Nele, a CIA cita prisão de três padres franceses por 72 dias. “Enquanto o caso dos padres tem algum mérito, é a excessiva preocupação dos militares com a subversão, real ou imaginária, que pode se tornar mais perigosa.”
O relatório estava certo. Dois dias depois, em 14 dezembro, Costa e Silva editava o AI-5, responsável pela morte de 12 manifestantes e 85 denúncias de torturas naquele ano, informa o jornal Folha de S.Paulo. No ano seguinte, foram 1027 denúncias de tortura. Em 1970, 30 mortos.
Para a agência, Costa e Silva foi pressionado Exército que, ao ceder, perdeu poderes. “Sua dependência dos militares se tornou aparente. Ele pode ser apenas um presidente decorativo a partir de agora”, diz o memorando.

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