quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

1955: Firmado Pacto de Bagdá

No dia 24 de fevereiro de 1955, por iniciativa dos Estados Unidos, foi criada a Organização do Tratado do Oriente Médio, com a participação do Reino Unido.
Tanque iraquiano na Guerra do Golfo – o avesso do Pacto de Bagdá
A 24 de fevereiro de 1955, a Turquia e o Iraque assinaram uma aliança de defesa – o chamado Pacto de Bagdá –, ao qual aderiram, nos meses seguintes, o Irã, o Paquistão e o Reino Unido. Esses acordos de segurança mútua eram criticados pela então União Soviética. Ancara e Islamabad já haviam firmado um acordo parecido em 1954.
Era evidente que esse tratado fora orquestrado pelos EUA e, em menor proporção, pelo Reino Unido. Ambos estavam montando uma frente mundial contra Moscou, formada, no Ocidente, pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), no Extremo Oriente, pelo Pacto do Sudeste Asiático (Seato), e por uma terceira aliança no Oriente Médio.
A partir do ingresso da Turquia na Otan, pretendia-se estimular a cooperação com as nações vizinhas. Mas a maioria dos Estados árabes via o plano com ceticismo. Eles haviam conquistado a independência pouco tempo antes e não queriam arriscar a autonomia com o ingresso nessa aliança. Tanto maior foi a alegria dos norte-americanos e ingleses ao conseguirem convencer o Iraque e a Turquia a assinar o pacto. Não demorou até o xá iraniano Reza Pahlevi (1919-1980) – que se considerava o principal líder regional – aderisse à aliança, em 10 de outubro de 1955.
Oferta atraente ao Irã
Protesto contra o xá da Pérsia, Reza Pahlevi
No Irã, acabara de ser derrubado o governo de Mohamed Mossadegh, num golpe militar desferido com ajuda dos serviços secretos inglês e norte-americano. Os EUA haviam oferecido amplo apoio ao novo governo, liderando um consórcio internacional para a compra de petróleo iraniano. Eram ofertas demasiado atraentes para que o xá rejeitasse o Pacto de Bagdá.
Furioso, o Kremlin lembrou a Teerã do acordo soviético-iraquiano de 1927, no qual ambos haviam se comprometido a não aderir a alianças ou acordos políticos que ameaçassem sua segurança, integridade, independência e soberania. Os protestos da URSS foram infrutíferos. Mas o Pacto de Bagdá também não chegou a corresponder às expectativas dos norte-americanos e ingleses.
Cai monarquia iraquiana
Ocorreram novas adesões, mas as atividades da aliança restringiram-se a conferências periódicas. Somente os líderes políticos aproveitavam o apoio financeiro obtido de Washington e Londres. Em 14 de julho de 1958, a monarquia iraquiana foi derrubada num golpe militar liberado pelo general Abdal Karim Kassem, que instalou um regime nacionalista de esquerda.
Xá Reza Pahlevi (direita) e sua esposa Soraia
O jovem rei Faissal foi morto durante a tomada do palácio real em Bagdá. Kassem anunciou a saída do Iraque do pacto, que então passou a se chamar Cento (Central Treaty Organisation). Com a revolução islâmica no Irã (1978-1979), que forçou a fuga do xá Reza Pahlevi, a Cento também acabou, e o plano de uma cooperação regional foi enterrado de vez com a derrocada da União Soviética.
Foi exatamente nessa época que o pacto funcionou pela primeira vez: na Guerra do Golfo. Em 1990, a maioria dos países da região participou da chamada Operação Tempestade no Deserto, liderada pelos EUA, para forçar o Iraque a se retirar do Kuweit. Era um Pacto de Bagdá ao avesso, contra o regime de Saddam Hussein. Mas também os rastros dessa cooperação se perderam no deserto.
  • Autoria Peter Philipp (gh)
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