domingo, 27 de março de 2016

1811 - Tem início o movimento ludita na Inglaterra


Temendo o desemprego, trabalhadores atacaram e destruíram máquinas que elevariam a produtividade das fábricas
Em 26 de março de 1811, em Nottingham, na Inglaterra, os trabalhadores de uma fábrica têxtil destroçaram as máquinas acusando-as de lhes roubar trabalho e salário.
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Esse movimento de revolta, suscitado pela crença de que a mecanização geraria desemprego, iria se desenvolver até 1816 nas Midlands, região central da Inglaterra. Era chamado de ludismo, nome derivado de um legendário operário que havia destruído dois teares por volta de 1780, John Ludd.
Contava-se então a história de um sábio que apresentara a um imperador romano um copo de vidro inquebrável. Na crença de que esta invenção levaria a maioria dos vidraceiros ao desemprego, provocando sua revolta, o imperador mandou executar o inventor.
Pode-se  seguramente situar no começo do século XVIII as primeiras revoltas operárias, alimentadas pela crença de que a mecanização provocaria desemprego. Seguiram-se à invenção de um dispositivo revolucionário por um jovem mecânico tecelão de Bury, a lançadeira mecânica volante.
Empregado de um cortineiro de Colchester, John Kay tinha menos de 30 anos quando pôs para funcionar essa máquina. Graças a um sistema de reenvio automático, ela permitia entrecruzar os fios de uma tela no curso da produção de um tecido qualquer que fosse a sua largura.
Até então a largura das telas era ajustada à envergadura dos braços dos trabalhadores tecelões, pois eram eles mesmos, para entrecruzar os fios, que deveriam fazer passar a lançadeira de um lado ao outro. Para obter telas mais largas, era necessário acrescentar outro operário ao ofício. A invenção provocou desequilíbrio, pois começa­ram a faltar fios produzidos na roca.
Esta invenção aparentemente simples fez aumentar a produtividade dos oficiais tecelãos. Os trabalhadores viam nela uma ameaça ao seu emprego e expulsam Kay, que tenta, em vão, vender sua invenção aos fabricantes de tecido da cidade vizinha de Leeds.
Apesar de tudo, a lançadeira mecânica volante se impõe. dobrando a produtividade da tecelagem, faz baixar fortemente o custo dos tecidos, acarretando um aumento significativo da demanda. Em lugar de reduzir o número de empregos, contribuiu para aumentá-los em toda a linha da produção têxtil inglesa.
Com a lançadeira mecânica inaugurava-se em 1733 a Primeira Revolução Industrial. Ela se caracterizava por um ritmo sensível de crescimento econômico da Inglaterra e o nascimento das primeiras fábricas, essencialmente do ramo têxtil. Dentro desse processo dinâmico, uma inovação se sucedia a outra rapidamente.
Além da tecelagem, os industriais da fiação tentavam a duras penas atender à demanda de fio. Seu problema foi resolvido por uma nova invenção, a de Richard Arkwright, mecânico de mais sorte que John Kay e que faria fortuna com sua máquina de fiação do algodão, a «Jenny». Permitia ao operário acionar 8,16 e até mesmo 60 rocas de uma só vez utilizando apenas a energia hidráulica.
Para melhorar o desempenho de seu invento, Arkwright lançou mão em 1777 da máquina a vapor projetada por um mecânico escocês igualmente inspirado, James Watt.
Para o branqueamento das telas, não era mais suficiente a técnica tradicional que consistia em untá-las com leite coalhado, deixando-as secar ao sol. Passou-se a utilizar o cloro que um químico francês, Nicolas Leblanc, conseguiu extrair do sal marinho de modo industrial às vésperas da Revolução.
Além do mais, do outro lado do Atlântico, os plantadores da Virgínia, mostravam-se ansiosos e entusiasmados em responder à explosão da demanda europeia por produtos de algodão. Em 1793, Eli Whitney inventa um dispositivo para separar o caroço do algodão de sua fibra. O novo descaroçador permitia mecanizar a fiação do algodão e baixar o preço da preciosa fibra. Isto faria a fortuna dos plantadores e alavancaria financeiramente o vertiginoso progresso dos EUA. Contudo, a colheita, por falta ainda de mecanização, exigia muita mão de obra, daí a intensificação do tráfico de escravos provenientes da África com as consequências dramáticas para a jovem nação.
No começo do século XIX, em um contexto de expansão econômica, o ludismo se mostrava como um movimento de retrocesso. Foi evidentemente condenado pelos patrões e pelos economistas liberais, mas também por Karl Marx que via nele uma prova da insuficiente educação dos operários. Aos seus olhos o problema não era a máquina mas a exploração que o dono dela fazia em detrimento dos trabalhadores.
Fonte: Opera Mundi

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