sábado, 12 de março de 2016

1818 - Romance 'Frankenstein', de Mary Shelley, é publicado


Romance foi considerado o primeiro de ficção e terror da história; nele, um cientista dá vida a uma criatura construída de partes desmembradas de cadáveres
Frankenstein ou o Moderno Prometeu é publicado em 11 de março de 1818. O livro, de autoria de Mary Wollstonecraft Shelley, de apenas 21 anos, é considerado por muitos como o primeiro romance de ciência ficção e terror da história. No enredo de Mary, um cientista dá vida a uma criatura construída de partes desmembradas de cadáveres. A criatura, doce e intelectualmente dotada, é enorme e fisicamente horrenda. Cruelmente rejeitada pelo seu criador, vagueia pelo mundo buscando companhia, tornando-se crescentemente brutal à medida que fracassa em encontrar um companheiro.
Frontispício da edição de 1831, pintado pelo artista inglês Theodor von Holst
Frontispício da edição de 1831, pintado pelo artista inglês Theodor von Holst
Pode-se comparar o Dr. Victor Frankenstein ao titã grego, Prometeu. Prometeu apoderou-se do fogo divino de Zeus, dotando os homens comuns de evolução distinta de outros animais e, assim como o ser supremo, também gozava da criação humana. Furioso, devido ao roubo do fogo divino, Zeus castigou Prometeu e o acorrentou ao cume do monte Cáucaso, propiciando que um terrível abutre dilacerasse seu fígado, que sempre se regenerava por conta de sua imortalidade.

Zeus ordenou o castigo a Prometeu por 30 mil anos, mas o condenado foi libertado por Hércules que deixou em seu lugar o deus da medicina, o centauro Quíron, que já estava condenado em virtude de ferida eterna causada por uma flecha terrivelmente envenenada. Num gesto nobre, Quíron oferece sua imortalidade em prol da libertação de Prometeu, com a intenção de acabar com o seu sofrimento eterno.

Mary Shelley criou a história numa chuvosa tarde de 1816 em Genebra, onde se hospedava com seu marido, o poeta Percy Bysshe Shelley e o amigo Byron, que propôs a cada um deles que escrevessem uma história macabra de fantasmas. Apenas Mary completou a sua. Embora servisse de base para histórias de horror e inspiração para inúmeros filmes no século 20, o livro Frankenstein é muito mais que uma ficção popular. A trama explora temas filosóficos e desafia ideais românticos acerca da beleza e dos valores da natureza.
Retrato de Mary feito pelo pintor irlandês Richard Rothwell
Retrato de Mary feito pelo pintor irlandês Richard Rothwell


Mary Shelley levou uma vida quase tão tumultuada quanto o monstro que criou. Filha do filósofo livre-pensador William Godwin e da feminista Mary Wollstonecraft, perdeu sua mãe dias após o seu nascimento. Brigava com sua madrasta, sendo enviada a Escócia para viver com parentes adotivos durante sua adolescência. Quando tinha 17 anos, fugiu com o poeta Shelley, que era casado. Após sua mulher cometer suicídio, em 1817, o casal se casou e passou muito tempo no exterior, buscando escapar dos credores. Mary deu à luz a cinco filhos, mas apenas um deles viveu até a idade adulta. Ela tinha apenas 24 anos quando Shelley morreu afogado num acidente marítimo. Posteriormente, editou dois volumes de obras poéticas do falecido marido.

Passou a viver de um pequeno estipêndio de seu sogro, Lorde Shelley, até que o filho dela herdasse a fortuna e o título do sogro em 1844. Mary Shelley morreu aos 53 anos. Sendo uma respeitada escritora, Frankenstein e seus diários ainda continuam sendo amplamente lidos.
Fonte: Opera Mundi

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