segunda-feira, 14 de março de 2016

“Embriagues e Folia. Completamente nús, à noite, na rua Independência”


Bruna Telassim Baggio
Luciane Maldaner
Graduandas em História/UPF 
Elisabete Becker Salomão
Graduada em História/UPF

Os passofundense, leitores do jornal O Nacional, certamente poderiam ver a frase acima e associá-la as atuais reclamações sobre a perturbação do sossego público na Rua Independência, assunto muito comentado e já discutido no ano passado nos órgãos públicos da cidade. Entretanto, esta notícia foi publicada há 67 anos, especificamente ao dia 7 de janeiro de 1949, quando a insatisfação dos moradores com o barulho proveniente das supostas desordens nas ruas eram frequentemente expostas em uma coluna do jornal O Nacional, exclusiva para a manifestação pública denominada “O que o povo reclama”. 

Com títulos como “Barulho grosso na rua independência!”, “Escândalos na rua independência”, o logradouro foi tema da coluna de reclamações diversas vezes ao longo das décadas de 40 e 50. Essa continuidade histórica das reclamações sobre a movimentação da Rua Independência teve, ao longo do tempo, diferentes motivações. Se atualmente, o barulho dos bares e de seus frequentadores é motivo de polêmica, na década de 1950 os motivos eram outros: as reclamações à época estavam relacionadas a proximidade da Rua Independência com a Rua 15 de Novembro, que na época centralizava a zona do meretrício da cidade, também alvo das insatisfações populares. 

A denominada zona do meretrício representava um espaço alternativo de diversão, expressão política e sexual, constituindo-se numa atrativa rua da noite passofundense, onde se localizavam Cassinos, Restaurantes e Dancings. Apesar disso, com o desenvolvimento urbano da cidade que se intensificou nos anos de 1950, teve início uma intensa campanha para retirada da zona do meretrício do local, que passou a integrar a área central de Passo Fundo. O problema da localização da “zona” foi definido pelo jornal O Nacional em 27/10/1949 como “Uma Verruga no Nariz”, evidenciando o incômodo que ela causava aos objetivos desenvolvimentistas da época.

A partir da retirada da zona do meretrício da região central da cidade em 1955, a Rua Independência aos poucos foi deixando de ser mencionada na coluna de reclamações. Porém, independente da época, a busca por um espaço de lazer permanece em nossa cidade, razão esta que levou novamente os jovens à Rua Independência, onde encontramos diversos bares. Décadas depois retorna com fôlego a questão das “ruas importunas” e o desafio de harmonizar o potencial da via pública como espaço de lazer, juntamente com os interesses dos moradores da região.

* O AHR destaca que os artigos publicados nessa seção
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