sábado, 9 de abril de 2016

1904 – Reino Unido e França oficializam a Entente cordiale


Acordo não era uma aliança, mas apenas um tratado destinado a aplainar diferenças coloniais entre dois inimigos históricos

Em 8 de abril de 1904, é oficializada a Entente cordiale (Acordo Cordial) entre o Reino Unido e a República Francesa. Não se tratava de uma aliança e sim de um simples acordo destinado a aplainar as diferenças coloniais entre os dois inimigos históricos.
[Escoteiros levantam as bandeiras de Reino Unido e França]
Já seria o suficientemente necessário se se imagina que os dois países estavam a ponto de iniciar uma guerra, seis anos antes, a propósito de Fachoda, uma miserável aldeia do Sudão.
Em 1882, o chanceler alemão Otto von Bismarck havia reunido a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália no seio da Tríplice Aliança tendo em vista prevenir uma eventual agressão da Rússia ou da França.
Após a demissão do “chanceler de ferro” em 18 de março de 1890, o imperador alemão Guilherme II manifestou publicamente sua ambição de nada menos que concorrer com o Reino Unido no domínio dos mares. Lança-se à construção de uma poderosa frota de guerra, afirmando que “o futuro da Alemanha residia na conquista da água”.
Os dirigentes britânicos se inquietavam com o “esplêndido isolamento” de seu país e passam a considerar uma reaproximação com a França.

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Na França, a reaproximação com Londres era discreta, mas firmemente promovida pelo ministro de Negócios Estrangeiros, Théophile Delcassé. Este dirigente, republicano de esquerda, anticlerical e nacionalista, desejava uma revanche com a Alemanha, que havia tomado a Alsácia e a Lorena em 1871 e tratou de preparar futuras alianças contra Berlim.
O chanceler francês tira partido da paixão do rei Eduardo VII pela alegria parisiense daqueles anos. Fervorosamente desejoso de alcançar a “Entente Cordiale”, o soberano inglês subira ao trono dois anos antes, a uma idade já avançada de 60 anos. Assim, desembarca em Paris para uma viagem oficial de três dias tendo por objetivo atrair a opinião pública anglofóbica a sua causa.
A acolhida dos parisienses foi glacial. Ouviram-se gritos de “Viva Joana d’Arc!” ou “Viva os Boers!” durante o trajeto do cortejo. Todavia, a bonomia e o amor sincero do rei pela França foram quebrando o gelo e criando um ambiente favorável. No espetáculo de gala, no teatro, lança um cumprimento emocionante a uma atriz de grande sucesso em voga. A história percorre o país e a viagem termina debaixo de aclamações.
O acordo, reduzido a quatro artigos, é, finalmente, assinado em Londres. Iria se reforçar ano após ano até desembocar numa aliança ampla e total na Primeira Guerra Mundial dez anos mais tarde.
Fonte: Opera Mundi

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