terça-feira, 19 de abril de 2016

1945: Leipzig libertada por soldados norte-americanos

Em 19 de abril de 1945, soldados dos EUA conquistaram a cidade no leste alemão. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados cansados, mas seguros da vitória.
Monumento à Batalha dos Povos, em Leipzig
Na manhã de 19 de abril de 1945, o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, ainda dirigira um apelo patético à população alemã. "Enfrentar uma batalha inevitável, manter a cabeça erguida, consciência e mãos limpas diante do destino, suportar tudo quanto é sofrimento e provação sem jamais pensar em suicídio, nem mesmo na hora da dor mais cruel – isso não só é ser homem, como também é ser alemão, no melhor sentido do termo", disse o ministro.
O coronel Von Poncet ainda resistia e um contingente de 150 homens da "Volkssturm" (tropa de voluntários recrutados nos últimos dias da guerra) controlava a prefeitura. Mas não por muito tempo. Um bombeiro alemão, interlocutor dos americanos, moveu os últimos combatentes a se entregarem. Eles finalmente desistiram de desafiar o poderio americano, depois que os líderes nazistas locais se enforcaram coletivamente na torre da prefeitura.
O restante da luta pela libertação de Leipzig foi quase um passeio pela cidade para as tropas dos Estados Unidos. Segundo o relato de um veterano, a população recebeu com bandeiras brancas os soldados norte-americanos, cansados, mas seguros da vitória. "Não houve forte resistência, apenas alguns adversários isolados, nas redondezas da estação ferroviária", lembra.
Tentativas de negociação
Com apenas 21 soldados, dois oficiais norte-americanos tomaram os quartéis do norte da cidade; os do sul também foram ocupados sem grandes problemas. "Ocorreram algumas perdas em Leipzig. Foram, na maioria, casos acidentais. Alguns soldados, porém, morreram em combates isolados de rua", conta o veterano.
Depois de rebater os primeiros ataques, o coronel Von Poncet se dispôs a negociar, quando o Monumento à Batalha dos Povos foi atingido por uma bomba. A primeira tentativa de negociação, feita por uma delegação de mulheres de Leipzig, não teve êxito. A segunda partiu de Hans Trefousse, um alemão de Frankfurt radicado nos Estados Unidos. Fiel seguidor das absurdas ordens de Hitler, Von Poncet, porém, insistia em não se entregar.
Onze dias depois, Hitler se suicidou. Embora o Terceiro Reich somente reinasse mais sobre gigantescas montanhas de escombros e um abrigo antiaéreo no subsolo de Berlim, a verdade continuou encoberta. Segundo um comunicado do quartel general, "Adolf Hitler morreu em combate, tendo lutado até o último momento contra o bolchevismo e pela Alemanha". No dia 30 de abril, Hitler ainda nomeou o almirante Karl Dönitz (1891-1980) como seu sucessor.
Em Leipzig, as negociações de 19 de abril de 1945 foram dramáticas. Tarde da noite, Poncet finalmente se entregou. Na base da "palavra de honra", ele e seus oficiais ganharam 48 horas para visitar suas famílias. Passado o prazo, todos – exceto um – se apresentaram na cadeia pública. Já os soldados comuns, integrantes da Volkssturm e da juventude hitlerista, foram transportados imediatamente para os campos de prisioneiros de guerra.
  • Autoria Gerda Gericke/gh
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