sábado, 30 de abril de 2016

“Poder e mídia: usos da democracia e impeachment” foi tema de aula pública na UPF

Foto: Natália Fávero
Professor da UPF, o historiador Tau Golin, coordenou o debate que contou com a participação do jornalista Juremir Machado e do juiz de Direito Luiz Christiano Aires
O Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) e o curso de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Passo Fundo (IFCH/UPF) promoveram uma aula pública com o tema: “Poder e mídia: usos da democracia e impeachment”. O evento foi realizado na quinta-feira, 28 de abril, e lotou o auditório da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis (Feac). A iniciativa contou com três diferentes abordagens: histórica, midiática e jurídica, com a presença do jornalista Juremir Machado, do juiz de Direito Luiz Christiano Aires e do historiador, professor da UPF e coordenador do debate Tau Golin.

A preocupação em fazer com que a população reflita sobre a situação política vivida no país foi um dos principais objetivos do evento. Tau Golin explica que depois da década de 1980, com a redemocratização no Brasil e de outros países, surgiu um novo processo de centro-direita, que começou a usar recursos ditos “constitucionais”, adequando leis que permitissem – pela via constitucional – manter uma política de não inclusão da maioria das populações e da manutenção dos privilégios.

O tema é uma novidade, especialmente na geopolítica americana, principalmente depois das experiências da ditadura militar, dos golpes de estado ou da manutenção de privilégios por meio da coerção. “Aqueles que mantêm o status quo, que resistem às mudanças inclusivas, de populações que estão na marginalidade, se alojaram em uma combinação do uso do estado, em especial, do parlamento para manter esse status quo. Isso acontece pela elaboração de uma série de leis, regimentos e procedimentos que possibilitem que a vontade popular, depois do âmbito do parlamento, seja subvertida. E é isso que tem acontecido”, destacou o coordenador do debate.

No âmbito do Direito, o juiz Luiz Christiano Aires, abordou como o direito funciona ideologicamente ou como ele pode mostrar uma realidade que não existe, e, a partir disso, legitimar determinado discurso. “Este discurso está indo na perspectiva do impeachment, na ideia de que o impeachment é constitucional, porque está na Constituição. No entanto, o impeachment corresponde ao uso artificial do instrumento, que na república presidencialista é usado para, eventualmente, destituir o presidente, e, no momento, está sendo usado de maneira deformada, sem os pressupostos próprios. A contextualização disso torna importante a atenção para não incidir em equívocos que levem a destituição de um presidente sem o crime de responsabilidade”, pontuou o juiz.

“Se realmente a questão é fazer uma limpeza, deveriam ser convocadas eleições gerais”
Na opinião do jornalista Juremir Machado este processo de impeachment envolve muitos interesses. “Isso é um pretexto ideológico, de guerra de poder, para tomar o poder, na medida que aqueles que estão insatisfeitos não conseguem ganhar as eleições. Se realmente a questão fosse o combate à corrupção não seriam estes os atuais combatentes, porque estes políticos teriam que ser combatidos ao mesmo tempo. Se realmente a questão é fazer uma limpeza, deveriam ser convocadas eleições gerais. Elegemos novamente um presidente da república e seu vice, os senadores, os deputados, começamos tudo de novo”, observou o jornalista.


A forma com que a mídia está tratando esse processo também foi questionada pelo jornalista. “Vivemos um momento grave e a mídia tem um papel forte nisso tudo. A forma correta da mídia se posicionar é realmente dar espaço para o contraditório, mostrar todos os pontos de vista, trazer à tona todas as contradições e criticar todos os envolvidos. Não vejo a maioria dos jornais fazer esse trabalho completo. Vejo uma cobertura muito seletiva. A própria imprensa internacional percebe isso nas coberturas e tem denunciado a seletividade da imprensa brasileira”, observou Juremir.


Nenhum comentário: