quinta-feira, 23 de junho de 2016

1894: Ressurgimento dos Jogos Olímpicos

Em 23 de junho de 1894, foi criado em Paris o Comitê Olímpico Internacional. O aristocrata e historiador francês Pierre de Coubertin pretendia assim reviver as competições esportivas da Antiguidade.
Pierre de Coubertin, Gründer der modernen Olympischen Spiele 1936
Os primeiros Jogos Olímpicos da Idade Moderna foram realizados em Atenas, em 1896. A competição havia sido idealizada anos antes, mas foi necessário transpor uma série de obstáculos. O principal mentor da ressurreição dos antigos jogos foi o historiador e aristocrata francês Pierre de Coubertin. Por pensar numa medição de força corporal no estilo da Olimpíada grega, ele era ridicularizado ou, na maioria da vezes, ignorado.
Para o corpo e o espírito
O jovem barão era um patriota profundamente preocupado com a situação de sua "grande nação". Em sua opinião, a França do final do século 19 estava enfraquecida pelas constantes trocas de governo e derrotas militares. Seu objetivo, portanto, era "arrancar os jovens indolentes dos bares e torná-los pessoas de caráter e fisicamente em forma". Ele almejava um equilíbrio entre treino corporal e formação intelectual.
Para concretizar suas ideias, Coubertin criou um Comitê de Propagação dos Exercícios Físicos na Educação. Ele procurou patrocinadores, sob o argumento de que o futuro da França estava em jogo. Para o historiador, o cenário ideal para incentivar o fisiculturismo seria uma competição à moda dos Jogos Olímpicos, que já não eram mais realizados há 1.500 anos.
Longe dos nacionalismos mesquinhos, os povos deveriam participar de uma competição pacífica, como na Grécia Antiga. É daí que vem a máxima "o importante é competir", ou seja, o importante é que países que se odeiam e raças que se discriminam aceitem os mesmos critérios de excelência física e de rivalidade corporal.
Em 1894, 79 representantes de 13 países reuniram-se na Universidade de Sorbonne, em Paris, para um congresso internacional convocado por Coubertin. Aparentemente, seria discutida a situação do esporte amador, mas, na verdade, estava em pauta a ressurreição dos Jogos Olímpicos. O barão queria conquistar adeptos para a ideia que tivera dois anos antes, no mesmo local.
Renascimento em Atenas
A 23 de junho de 1894, foi decidido realizar novamente os Jogos Olímpicos, tendo Atenas como sede para sua primeira edição. No mesmo congresso também foram aprovados os princípios básicos da competição e fundado o Comitê Olímpico Internacional (COI).
Dois anos depois, 295 atletas de 13 nações disputaram os jogos na capital grega. Tratava-se de uma mistura de amadores, esportistas de segunda categoria e equipes improvisadas — sem mulheres. Inicialmente, os Jogos Olímpicos da Idade Moderna não foram levados a sério pelas entidades esportivas nacionais. Mas os jogos seguintes, em Paris e, sobretudo, em Londres, em 1908, ajudaram a consolidar a competição.
Desvirtuamento dos ideais
O poder do esporte e, principalmente, das Olimpíadas foi logo reconhecido pelos nazistas. Os Jogos de 1936, em Berlim, transformaram-se em instrumento de propaganda. Nos anos seguintes, passaram a ser meio de pressão política. Hoje o espetáculo conserva apenas tênues lembranças da filosofia olímpica original, de confraternização entre os povos.
Em 1896, pensou-se que guerras, conflitos, rivalidades e uso da violência seriam deixados de lado durante as Olimpíadas. Imaginava-se que, durante a competição, reinariam o entendimento, a cooperação, o conhecimento mútuo e a solidariedade.
O mercantilismo, porém, tomou conta dos Jogos Olímpicos, que se tornaram um negócio multimilionário. A publicidade dos acessórios esportivos transformam os atletas em homens-sanduíche, cobertos por anúncios. O marketing associa, descaradamente, o consumo de certos produtos aos Jogos.
O olimpismo era sinônimo de amadorismo, uma espécie de amor pelo esporte. Contudo, o profissionalismo dos competidores virou regra geral. As "fraudes" contra o amadorismo remontam aos tempos da Guerra Fria. No bloco soviético, os atletas eram funcionários do Estado. Do lado norte-americano, o atleta recebia uma bolsa de uma universidade qualquer e também se dedicava integralmente ao esporte.
O idealismo e a pureza que o barão de Coubertin desejava imprimir à competição, no mesmo espírito da Olimpíada grega que, além do caráter competitivo, possuía também um significado religioso, morreu ao longo dos anos.
  • Autoria Oliver Ramme (lk)
  • Link permanente http://dw.com/p/1FUe

Nenhum comentário: