quarta-feira, 6 de julho de 2016

1811 - Venezuela se torna independente da Espanha


Em 5 de julho de 1811, Congresso reunido em Caracas declarou independência absoluta do reino espanhol
Em 5 de julho de 1811, a Venezuela se torna a primeira colônia espanhola da América a se tornar independente. A chegada dos escravos negros levou ao desenvolvimento de grandes plantações de cacau e à formação de uma sociedade mestiça e bastante desigual. Em 1776, a colônia formou, juntando Trinidad-Orinoco e a Nova Andaluzia, a capitania-geral da Venezuela, tendo por capital Caracas.

Arquivo

Mural "Venezuela Nuestra Independencia" em Mérida; colônia foi primeira na América a se tornar independente da Espanha

Quando as tropas de Napoleão ocupam a Espanha e derrocam a monarquia em 1808, a colônia da Venezuela aprende, por força das circunstâncias, a se governar sozinha. Isto alimenta na burguesia branca a ideia de se emancipar completamente da tutela colonial.

A população, todavia, manifestava reserva a esse movimento por apego ao rei Fernando VII e sobretudo pelo temor de serem ainda mais explorados pelos futuros governantes do que eram pelos funcionários espanhois. Uma primeira insurreição é organizada em 1806 por Francisco de Miranda, um oficial que combatera ao lado dos insurgentes norte-americanos e depois junto aos revolucionários franceses. Miranda tenta desembarcar na costa venezuelana, mas é repelido pelas tropas legalistas e, batido, teve de tomar o navio de volta à Europa.

O revolucionário inventa, nessa ocasião, o nome de Colômbia, homenagem ao descobridor do Novo Mundo, para designar a federação hispano-americana com que sonhava. Acontece um nova insurreição quatro anos mais tarde. Em 19 de abril de 1810, a municipalidade insurreta de Caracas toma o poder do capitão-geral, representante oficial da coroa espanhola. Porém os grandes proprietários de terra, que tinham estado na origem do movimento, desconfiados da evolução da insurreição, tratam de voltar atrás pronunciando-se pela manutenção dos direitos de Fernando VII.

Bolívar

Uma Sociedade Patriótica e do Povo se reúne para pensar o futuro do país. Aos debates está presente um jovem destinado a um grande futuro, Simón Bolívar, 27 anos, que retornava de Londres onde tentou obter o apoio do governo bitânico para a junta de Caracas.
Bolívar defende a tese da independência total e convence o popular Miranda a voltar do exílio e juntar-se a ele. Os debates desembocam num Congresso nacional, que congrega na capital representantes de sete províncias do país, a partir de 2 de março de 1811. Em 5 de julho, por fim, uma votação dos congressistas dá a vitória aos independentistas. Uma Ata de Independência é redigida nas horas subsequentes.

Miranda, 60 anos, toma a chefia do governo como comandante-em-chefe mas por pouco tempo. Capitula diante dos realistas em San Mateo em 25 de julho de 1812 e terminaria seus dias na prisão. Em 6 de agosto de 1813, Bolívar toma a cidade de Caracas e recebe da municipalidade o título de "Libertador". Embora admirador das instituições britânicas, diante das circunstâncias, impõe sua autoridade tendo de se valer inclusive de ações repressivas. Diante desse quadro, uma boa parte da população permaneceu oposta à independência.

A guerra civil e a necessidade de Bolívar de consolidar o poder favorecem, de certo modo, o retorno dos espanhois. Batido e em fuga, Bolívar retoma a luta com o apoio externo interessado dos britânicos. Retoma a região do rio Orinoco e depois atravessa os Andes e de surpresa investe contra os espanhois em Boyacá em 7 de agosto de 1819.

Fortalecido pela vitória, faz uma entrada triunfal não em Caracas, e sim em Bogotá, capital da colônia vizinha da Venezuela, a Nova Granada. O horizonte do Libertador ultrapassa a Venezuela e abraçaria doravante o conjunto da América hispanófona.

Seria necessário ainda um decênio de guerras intestinas antes que a Venezuela pudesse adquirir a plena independência. A Venezuela cobre hoje cerca de 900 mil quilômetros quadrados e conta com cerca de 30 milhões de habitantes. Situada ao norte do continente, se estende da cordilheira dos Andes a ocidente até o delta pantanoso do rio Orinoco que desemboca no Oceano Pacífico a oriente. Abordado por Cristóvão Colombo em sua terceira viagem às Américas, deve seu nome a Amerigo Vespucci, o mesmo que doou seu prenome ao continente americano. O explorador florentino a chamou de Venezuela, "pequena Veneza" em espanhol por analogia à célebre localidade italiana.
Fonte: Opera Mundi

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