quarta-feira, 3 de agosto de 2016

1882 - Reino Unido invade Egito e dá início a 40 anos de controle


Em 28 de fevereiro de 1922, porém, o Reino Unido opta por renunciar ao protetorado sob forte pressão do movimento independentista
Em 2 de agosto de 1882, os ingleses desembarcam em Alexandria, porto egípcio sobre o Mediterrâneo, sob o pretexto de restabelecer a ordem depois de distúrbios sangrentos. Tirando partido da incapacidade do soberano egípcio de reembolsar sua dívida externa, colocam o governo sob tutela. A intervenção põe fim à independência do Egito bem como à expansão da França no vale do Nilo.
Desde a época de Soliman o Magnífico, três séculos antes, o Egito se considerava fazendo parte do Império Otomano. Todavia, após a tomada do poder por Mehemet Ali em 1805, o khedive ou vice-rei, que o governava em nome do sultão, tornou-se independente de fato.
Sob o impulso de Mehemet Ali e de seus sucessores, o país se moderniza a passos largos, sustentando a ambição de se igualar à bvanguarda europeia. A população, essencialmente camponesa, se concentrava no Vale do Nilo desde a Alta Antiguidade. No curso do século 19, ela passa de 2,5 milhões para 10 milhões de habitantes (80 milhões no final do século 20).
Mulheres em manifestação nacionalistas no Cairo, em 1919
Mulheres em manifestação nacionalistas no Cairo, em 1919
Em 18 de janeiro de 1863, o trono é ocupado por Ismail Pacha, 32 anos, neto de Mehemet. O novo khédive investe a todo vapor na infraestrutura e para tanto subscreve maciços empréstimos no estrangeiro, notadamente a fim de permitir a conclusão dos trabalhos de escavação do Canal de Suez. A dívida pública passa de 4 a 80 milhões de libras esterlinas. A dívida custa muito caro, de um lado porque os credores ocidentais impuseram uma taxa de juros elevada sobre os chamados "valores à turbante" dos quais desconfiavam – 12 a 13% em vez dos 6 a 7% habituais; de outro porque os intermediarios retinham comissões exorbitantes da ordem de 30 a 50%.

Em 24 de novembro de 1875, o khedive cede à Inglaterra sua participação na Companhia do Suez a fim de tentar enxugar a dívida. Como a medida se mostrou por demais insuficiente, o Estado egípcio se declara em bancarrota em 8 de abril de 1876. Sem alternativas, o governo de Ismail Pacha é posto sob tutela de uma Caixa da Dívida. A direção da Caixa era composta de 2 britânicos, 2 franceses, um austríaco e um húngaro. Um controlador geral europeu ficou encarregado de gerir as receitas e um outro as despesas. Aos europeus foram confiados os ministérios de Finanças e Obras Públicas, com a missão de reduzir o salário dos funcionários públicos e dos militares. Outrossim, 2500 militares foram mandados para a reserva.

Ismail Pacha, submetido à pressão das ruas e do exército, demite os ministros europeus. Os credores, exasperados, consideram que nada mais podem esperar do khedive e o obrigam a abdicar em favor de seu filho Taufiq. Taufiq Pacha, 27 anos, não resistiu. Confiou a administração do país a um condomìnio franco-britânico. Contudo, o avassalamento do Egito não deixou seus habitantes indiferentes. Os oficiais se revoltam sob o comando do coronel Ahmed Arabi em 9 de setembro de 1881, obrigam o khedive a exonerar todo o seu gabinete e convocar uma nova Câmara de Delegados.
Numa nota conjunta, o primeiro ministro britânico William Gladstone e o Presidente do Conselho francês Leon Gambetta manifestam apoio ao khedive e tentam impressionar os rebeldes, que veem a nota como uma provocação. Arabi é chamado ao governo em 29 de maio, obtém do khedive poderes ditatoriais e manda fortificar o porto de Alexandria e a costa. Um levante popular em Alexandria fornece a Gladstone pretexto para intervir. Exige que o governo desarme as baterias da cidade. Em 11 de julho de 1882, o almirante Beauchamp-Seymour recebe autorização de bombardear Alexandria. Na noite seguinte, vastos incêndios tomam conta da cidade e os saques se multiplicam.

Em 2 de agosto, por fim, tropas britânicas desembarcam em Alexandria. Em 13 de setembro, uma batalha decisiva tem lugar em Tel el-Kebir entre ingleses e egípcios, Estes são facilmente derrotados e Pacha, capturado, é enviado para o exílio no Ceilão. Gladstone coloca o governo do khedive sob sua proteção e todo o poder passa às mãos do cônsul-geral da rainha Victória, lorde Cromer. Cromer torna-se o verdadeiro chefe de governo. Remodela o exército e dá andamento à obra de modernização de Ismail Pacha, desenvolvendo a irrigação e a cultura do algodão.

Durante a Primeira Guerra Mundial caem as máscaras. O Egito rompe oficialmente com o Império Otomano, aliado das Potências Centrais (Alemanh e Austria-Hungria) e o país se transforme num mero protetorado britânico. Em 28 de fevereiro de 1922, porém, o Reino Unido opta por renunciar ao protetorado som forte pressão do movimento independentista. O sultão Fuad I se proclama diante da multidão rei do Egito – o título de rei sendo mais prestyigioso que o de sultão. Os britânicos, no entanto, conservam uma grande influência sobre os negócios do país até a derrocada de Faruk I, seu filho e sucessor, em 23 de julho de 1952, pelos jovens oficiais progressistas.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: