sexta-feira, 18 de novembro de 2016

1928: Mickey Mouse aprendia a falar

Enquanto os demais cineastas discutiam a necessidade de sonorizar seus filmes, Walt Disney não perdeu tempo em dar voz ao Mickey. O terceiro filme do camundongo chegou às telas em 18 de novembro de 1928.
Steamboat Willie erster Film von Mickey Maus (picture-alliance/United Archives/TopFoto)
"Ele tem uma calça vermelha com botões amarelos. É preto e tem o rosto branco. Corre pra lá e pra cá e vive fazendo travessuras." Desde 1928, Mickey Mouse também sabe falar, o que para os padrões daquela época era uma inovação absoluta.
No início daquele ano, chegara às telas o filme Os cantores de jazz (The Jazzsinger) e com ele, pela primeira vez, o cinema falado. Muitos produtores de Hollywood discutiam sobre as vantagens dos filmes sonoros. Walt Disney manteve-se afastado do debate, por ver na nova técnica uma possibilidade única: o desenho animado com som.
Os dois primeiros filmes de Mickey Mouse foram mudos. Depois que a metade do terceiro filme já estava praticamente concluída, Disney e sua equipe fizeram um pequeno teste. As mulheres e amigos dos desenhistas foram convidados a assistir ao novo filme Steamboat Willie.
Na sala ao lado, estavam alguns membros da equipe de Disney, que produziam ao vivo o som sincronizado para o filme. Em uma partitura, estava marcada não só a música, como também os efeitos sonoros necessários. Wilfried Jackson tocava gaita, enquanto outros músicos utilizavam frigideiras como percussão, assobiavam e tocavam flautas.
Walt Disney descreveu mais tarde a sessão: "A reação do nosso pequeno público foi única. As pessoas ficaram como que eletrizadas, instintivamente tocadas pela unidade entre imagem e som. O som era terrível, mas foi maravilhoso! Era algo novo!"
Ilusão e magia
Mais tarde, a reação do público foi a mesma que a dos presentes na sessão experimental. Steamboat Willie tornou-se um grande sucesso. As personagens dos desenhos animados podiam falar, cantar e tocar instrumentos. Essa ilusão foi tida como algo mágico.
Motion Picture Daily, de Nova York, elevou Mickey Mouse à posição de modelo exemplar: "Quando um filme se encontra no padrão de um desenho de Mickey Mouse, ele dispensa comentários". Nos dois anos seguintes, o camundongo tornou-se a estrela das produções dos estúdios Disney. No início dos anos 30, foram finalizados 20 filmes do Mickey por ano.
Em 1940, o ratinho atuou como protagonista do curta O aprendiz de feiticeiro, baseado na música de Paul Dukas. A ideia fez parte de um grande projeto, que levava o nome Fantasia. Walt Disney pretendia ilustrar trechos de música clássica. Dentro do projeto, havia ainda desenhos com música de Beethoven e Stravinski. Para concretizar suas ideias, Disney trabalhou em cooperação com o dirigente Leopold Stokowski.
Pato Donald chega às telas
Mickey Mouse não ficou sozinho por muito tempo. O camundongo tinha poucas características marcantes para servir de personagem principal a longo prazo, embora sua popularidade crescesse em velocidade alucinante e o ratinho se tornasse personalidade nacional. O herói deveria continuar gracioso e amável. Para os desenhistas, no entanto, tornava-se cada vez mais difícil encontrar novas histórias para rechear as aventuras de Mickey. Foi o momento em que o Pato Donald chegou às telas.
O pato caracterizava-se pela falta absoluta de disciplina, era facilmente irritável, arrogante e egoísta. Ninguém, no entanto, conseguia desenvolver uma aversão real ao bichinho. Foi assim que Mickey acabou perdendo espaço, embora continue até hoje sendo um dos preferidos das crianças no universo de Disney.
  • Autoria Daniela Ziemann (sv)
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