sexta-feira, 25 de novembro de 2016

1957 – Morre Diego Rivera, consagrado artista plástico mexicano


Marido de Frida Kahlo, artista marcou época pelo seu estilo arrojado
Morre, em 24 de novembro de 1957, aos 70 anos, Diego Rivera, destacado artista mexicano, famoso por pintar obras de alto conteúdo social em edifícios públicos. Ele Foi criador de diversos murais espalhados por cidades do México e dos Estados Unidos.
Na verdade, o nome completo do artista mexicano era Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez. Facilitando a vida de jornalistas e do público, decidiu adotar apenas Diego Rivera.

Nascido em 8 de dezembro de 1886 em Guanajuato,  começou a partir de 1896 fazer aulas na Academia de São Carlos, desobedecendo desejos de seu pai que queria vê-lo na carreira militar. No começo do século, recebeu bolsas de estudo para viajar à Espanha e conhecer obras de Goya, El Greco, Brueghel e ingressar no ateliê de Eduardo Chicharro, um dos mais importantes retratistas espanhóis.

Diferentemente de outros grandes artistas gráficos como José Clemente Orozco, artista filiado ao Exército Constitucionalista, e de David Alfaro Siqueiros, alto oficial, Diego Rivera não teve participação direta no conflito político e militar da Revolução Mexicana de 1910. Em 1916, depois de passar por diversos países da América do Sul, fixa-se em Paris, onde mantém contato com artistas como Picasso, Ochoa e Inclán, aderindo então ao cubismo. Em 1917, influenciado por Paul Cezanne, aproxima-se do pós-impressionismo, conseguindo chamar a atenção por suas telas de cores vivas.

Em 1920 empreende uma viagem à Itália onde se aprofunda no estudo da arte renascentista. Quando toma conhecimento de que José Vasconcelos fora designado ministro da Educação do México, regressa a seu país e participa de iniciativas artísticas ao lado de Orozco, Siqueiros e Tamayo.

Em 1927, Rivera é convidado para as cerimônias dos 10 anos da Revolução Bolchevique em Moscou. Casa-se com a pintora Frida Kahlo em 1929, ano em que é expulso do Partido Comunista. Em 1930 é convidado para a realização de diversas obras nos Estados Unidos, onde sua temática comunista desataria contradições, críticas e atritos com proprietários, governo e imprensa locais.

Em 1933 ocorre um dos episódios mais controvertidos de sua vida. O magnata John Rockefeller contrata Rivera para pintar um mural na entrada do edificio RCA em Nova York. Era o principal edificio do Rockefeller Center. Situado na 5ª Avenida era um marco emblemático do capitalismo.
Rivera desenhou então o mural sob o tema O Homem na Encruzilhada de Caminhos ou o Homem Controlador do Universo. Estando para completá-lo, resolveu incluir um retrato de Lenin. A reação da imprensa foi imediata e virulenta. Rockefeller considerou o retrato como insulto pessoal, mandou cobrir o mural e ordenou que fosse destruido. De volta ao México em 1934, pintou o mesmo mural no 3º andar do Palácio de Belas Artes.

Reprodução

Marido de Frida Kahlo, artista marcou época pelo seu estilo arrojado

Em 1936 solicita ao presidente Lázaro Cárdenas asilo político a Leon Trotsky, o que se concretiza no ano seguinte, sendo recebido na Casa Azul de Frida Kahlo. Em 1940, já divorciado de Kahlo e afastado do disidente soviético, volta com ela a se casar.

Em 1946 pintou uma de suas obras mais importantes Sonho de uma Tarde Dominical na Alameda Central no Hotel do Prado. Integra com Orozco e Siqueiros a comissão de Pintura Mural do Instituto Nacional de Belas Artes.

Em 1950 ilustrou o livro Canto Geral de Pablo Neruda. Em 1952 realizou o mural A Universidade, a Família Mexicana, a Paz e a Juventude Esportista no Estádio Olímpico Universitário na Cidade do México.

Em 1953, Rivera cria uma obra-prima que se encontra no Teatro dos Insurgentes, Cidade do México. Tal obra tem um alto significado pois cada imagem representa parte da história do México. O mural é feito de pequenos azulejos de vidro. A colocação esteve a cargo do mestre Luigi Scodeller.

Há uma cena em que aparece o popular comediante Cantinflas recebendo dinheiro das clases ricas da sociedade mexicana representada por capitalistas, militares, um clérigo e uma cortesã. Os pobres encontram-se do lado esquerdo representando as classes exploradas. Detrás de todo o cenário vislumbra-se a antiga Basílica de Guadalupe.

Em junho de 1954, morre Frida Kahlo e no ano seguinte casa-se com Emma Hurtado. Viaja para a União Soviética para uma intervenção cirúrgica. Falece em 24 de novembro de 1957 em sua casa, atualmente conhecida como Museu Casa Estúdio Diego Rivera e Frida Kahlo. Seus restos foram colocados na Retonda das Pessoas Ilustres, contrariamente à sua última vontade.
Fonte: Opera Mundi

Nenhum comentário: