segunda-feira, 13 de março de 2017

1930 - Mahatma Gandhi inicia a Marcha do Sal


Evento é equivalente ao Tea Party, e desempenhou papel fundamental na independência indiana
Em 12 de março de 1930, Mohandas Karamchand Gandhi leva a cabo uma jornada conhecida como ‘‘marcha do sal’’, primeira aplicação concreta de sua doutrina de não-violência.
Nos anos precedentes, o Mahatma - do sânscrito Mahatma, A Grande Alma - multiplicaria as manifestações não-violentas e as greves de fome tendo em vista conquistar para o Império das Índias um estatuto de autonomia análoga àquelas que beneficiaram as colônias de população europeia como o Canadá ou a Austrália.
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À falta de resultados concretos, muitos membros de seu partido, o Partido do Congresso, se impacientavam e ameaçavam desencadear uma guerra cruenta a fim de alcançar a independência.
Gandhi, para não ser ultrapassado pelos acontecimentos, advertiu o vice-rei das Índias que sua próxima campanha de desobediência civil teria por firme objetivo a independência do país. Foi dessa maneira que deixou o seu ashram - um mosteiro também conhecido como Gandhi Ashram, localizado no subúrbio de Ahmedabad, Sabarmati, adjacente à famosa Estrada Ashram, ao noroeste do país, acompanhado de algumas dezenas de discípulos e de uma matilha de jornalistas.
Depois de percorrer a pé cerca de 300 quilômetros, chega no dia 6 de abril às margens do Oceano Índico. Avança pelas águas do mar e recolhe em suas mãos um pouco de  sal (foto à esquerda). Com este gesto irrisório porém altamente simbólico, Gandhi encoraja seus compatriotas a violar o monopólio de Estado sobre a distribuição do sal. O monopólio obrigava a todos os consumidores indianos, entre eles os mais pobres, a pagar um imposto sobre o sal e instituía a proibição de eles mesmos recolherem sal e criarem salinas.
Na praia, a multidão, engrossada por dezenas de milhares de simpatizantes, passou a imitar o Mahatma enchendo recipientes com a água salgada. O exemplo se expandiu rapidamente por todo o país. Em Karachi ou Bombaim, os indianos faziam evaporar a água e recolhiam o sal à vista dos colonizadores ingleses. Os britânicos enviaram mais de 60 mil "contraventores" às prisões.
Os indianos, fieis às recomendações de Gandhi, tratam de resistir. O próprio Mahatma é preso em 4 de maio de 1930. Irônico, exclama aos seus carcereiros : "Enfim, vou poder dormir um pouco". Passaria nove meses na prisão. Por fim, o vice-rei acabaria por reconhecer sua impotência em impor a obediência à lei britânica. Cedendo às pressões doMahatma, liberta todos os prisioneiros e se vê obrigado a conceder aos indianos o direito de eles mesmos recolherem o sal. 
Winston Churchill, então na oposição parlamentar, celebrado por seu talento oratório, mas desta vez pouco inspirado ou ainda deixando transparecer seus verdadeiros sentimentos, ironiza "o faquir sedicioso que costuma escalar semi-nu as escadarias do palácio do vice-rei".
O primeiro ministro trabalhista, Ramsay MacDonald, um pouco mais perspicaz, resolve abrir em Londres, sob a égide do rei George V, em 13 de novembro de 1930, as primeiras negociações destinadas a debater uma hipotética independência da Índia.
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Depois de percorrer a pé cerca de 300 quilômetros, chega no dia 6 de abril às margens do Oceano Índico
No cárcere, como a maioria dos dirigentes do Partido do Congresso, o Mahatma se vê impedido de participar da reunião, no entanto é convidado para no ano seguinte participar de uma segunda mesa redonda.
É recebido triunfalmente em Londres pelos liberais britânicos, resignados em conceder proximamente a ansiada independência da Índia. Todavia, a independência seria retardada pela eclosão da II Guerra Mundial e pelas dissensões religiosas entre hindus e muçulmanos.
Em 15 de agosto de 1947, o Império das Índias se tornaria finalmente independente, contudo ao preço de uma selvagem guerra religiosa que redundou na cisão do território entre Índia e Paquistão. Gandhi seria assassinado em Nova Déli,capital da Índia independente, em 30 de janeiro de 1948.
A marcha do sal é para os indianos – e para os britânicos - o equivalente ao "Tea Party" de Boston – ação de protesto executada pelos colonos ingleses na América contra o governo britânico, em que foram destruídos muitos caixotes de chá pertencentes à Companhia Britânica das Índias Orientais – que levou à independência dos Estados Unidos.

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