quinta-feira, 29 de junho de 2017

AHR e IHPF lançam o III Concurso de Quadrinhos!


“Recortes da História de Passo Fundo:
Chafariz da Mãe Preta”

As questões relacionadas à História da cidade têm tido amplo espaço de debate e divulgação nos últimos anos, todavia, ainda muito é necessário em termos de pesquisa, discussões e atitudes valorativas da história, identidades e das memórias. Unindo-nos a este esforço de reflexão/ação em prol dos bens coletivos locais, o Arquivo Histórico Regional (AHR) de Passo Fundo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da UPF (PPGH/UPF), com apoio do Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF), promovem o III Concurso de Quadrinhos AHR, desta vez dedicado as lendas relacionadas ao “Chafariz da Mãe Preta”.

As narrativas sobre as lendas da mãe que permeiam o imaginário coletivo em Passo Fundo, destacam a conformação da cidade a partir de um importante manancial de águas, hoje reconhecido como Chafariz da Mãe Preta, mas que também tem vínculo com uma lenda indígena da mãe, ressignificada posteriormente e articulada então a presença de afrodescendentes na região.
Para além das narrativas indígena e negra, o tema do Chafariz envolve questões culturais, maternais, naturais (ervais, milharais, urubu rei, bica d´água, etc.), conflitos (terra indígena, escravidão, retirada ou não do chafariz ante a expansão da rua 10 de abril), patrimônio (configuração do espaço da praça e monumentos do atual Chafariz), reconhecimento e identidade (indígena e afrodescendente, sobretudo), trabalho (lavadeiras), entre outras. Essa pluralidade de temáticas evocadas ao Chafariz é que nos mobiliza a propor esse tema como norteador do III Concurso de Quadrinhos AHR, quando se comemoram 160 anos de emancipação de Passo Fundo.

O objetivo desse concurso é, sobretudo, instigar estudantes de todos os níveis, profissionais e a comunidade em geral para a importância das memórias e da história local, bem como para os acervos que fazem possível seu estudo e divulgação, em especial o acervo AHR e do IHPF, que dispõe de mapas, documentos, fotografias, manuscritos públicos e privados e que versam sobre a história da cidade e região.




REGULAMENTO

Participantes

1)  Poderão participar estudantes de todos os níveis, desenhistas de quadrinhos não profissionais e profissionais de todo o país e estrangeiros que apresentem trabalhos originais e inéditos que versem sobre o tema deste concurso.
2)     Categorias:
                                                       I.            Estudantes do ensino fundamental
                                                    II.            Estudantes do ensino médio
                                                 III.            Acadêmicos de graduação e desenhistas em geral

Apresentação dos trabalhos

3)     Só poderão ser apresentadas obras integrais, produzidas em formato HQ, que serão avaliadas e selecionadas pela Comissão Julgadora por atribuição de nota de 0 a 10 (as notas serão utilizadas exclusivamente pela Comissão e não serão divulgadas em nenhuma circunstância).
4)     As propostas não poderão ser divulgadas por outras vias até o encerramento do Concurso, sob pena de desclassificação sumária.
5)      Será de responsabilidade dos autores o cumprimento das seguintes condições da obra: ser inédita, de sua autoria (própria ou coautoria); que não tenha sido apresentada anteriormente em outro evento e/ou concurso; que não tenha seus direitos de edição comprometidos; e que não tenham sido e não sejam publicados em qualquer forma por terceiros.
6)     As historietas em quadrinhos, escritas em português, devem ter extensão mínima de 2 páginas e máxima de 6 páginas, em papel A4 (210 x 297 mm), realizadas somente em um dos lados e que estejam claras e visíveis (trabalhos realizados em lápis comum devem ser refeitos em caneta/pincel/lápis PRETO). O texto deve ser feito totalmente em letras maiúsculas e os desenhos poderão ter técnica livre, mas apresentados em preto e branco. Trabalhos coloridos serão sumariamente recusados para avaliação.
7)      Os textos das historietas devem versar sobre  memórias e histórias relacionadas ao Chafariz da Mãe Preta.
8)     Cada trabalho deve ser apresentado no original e em três cópias xerocadas, assinadas com nome ou pseudônimo dos autores em cada página. Em todos os trabalhos, deverá figurar o pseudônimo e/ou nome ao pé e no reverso de cada original e cópia.
9)  Em um envelope, deve-se colocar, no verso, o título da historieta em quadrinhos e o pseudônimo do(s) autor(es) e a categoria em que estão se inscrevendo. No seu interior devem constar o trabalho (original e três cópias), a ficha de inscrição devidamente preenchida e o termo de ineditismo do trabalho apresentado, assinado por cada autor.


10)  Todo o material deverá ser entregue diretamente no Arquivo Histórico Regional ou encaminhado via SEDEX (o selo de postagem deve enquadrar-se às datas de inscrição apresentadas no item 11).

Arquivo Histórico Regional (AHR) – Campus III da UPF
III Concurso de Quadrinhos AHR
 Rua Paissandu, 1756 – Centro,
Passo Fundo – RS – CEP 99010-102

11)   O prazo de recebimento das inscrições inicia em 01 de setembro de 2017 e encerra em 16 de outubro de 2017. O horário de recepção dos originais no AHR será das 8h às 11h30min no período da manhã e das 14h às 17h30min no período da tarde, de segunda a sexta-feira. Os trabalhos enviados via SEDEX devem considerar a data de postagem dos Correios e seu horário de funcionamento.

 Julgamento dos trabalhos

12)  Os jurados estão facultados a realizar a seleção das historietas e escolher a premiação dos trabalhos por categoria de inscritos. As decisões dos jurados serão inapeláveis. Os resultados serão divulgados no dia 10 de novembro, às 18h 30 minutos, no Palco Principal - Feira do Livro BOURBON SHOPPING, durante a realização da 31ª Feira do Livro.
13)  A Comissão Julgadora será composta por profissionais designados pelo AHR, sendo de, no mínimo, 3 e no máximo 5 avaliadores.
14)  A participação no Concurso implica, por parte dos autores, na aceitação integral e incondicional das regras do mesmo, assim como no compromisso de não retirar-se do concurso até a divulgação dos resultados.

Prêmios
15)  Serão premiados 2 trabalhos por categoria, os quais serão editados e publicados posteriormente no site Projeto Passo Fundo e, eventualmente, em obra específica organizada pelo AHR. Para tanto, os autores dos trabalhos inscritos em cada edição do concurso, uma vez selecionados, cedem seus direitos unicamente para essa publicação.



Promoção:
Arquivo Histórico Regional (AHR/PPGH-UPF)
Instituto Histórico de Passo Fundo

Apoio:
A Toca
Projeto Passo Fundo
Livraria Delta
Academia Passo-Fundense de Letras



terça-feira, 27 de junho de 2017

1942: Resistência antinazista "Rosa Branca" distribui panfletos

A partir de 27 de junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazista pelo movimento de resistência "Rosa Branca".
Os irmãos Hans e Sophie Scholl fundaram o movimento de resistência Rosa Branca
Hans e Sophie Scholl, fundadores do movimento de resistência Rosa Branca
O Rosa Branca (Weisse Rose), atuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. Seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.
Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazistas. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.
Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de junho e 12 de julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem direta, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.
Primeira derrota chocou a população alemã
A morte de 300 mil alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades europeias ocupadas pelos nazistas e ao mesmo tempo chocou a população do país.
Willi Graf, Alexander Schmorell e Hans Scholl passaram a noite pichando Abaixo Hitler Liberdade nas paredes da universidade e de prédios vizinhos. O grupo Rosa Branca aproveitou a ocasião, publicando um novo panfleto. A estratégia era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de cidades diferentes.
Descobertos enquanto depositavam suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.
Junto com Christoph Probst, foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre abril e outubro de 1943.
Mais indignação que ideologia
O objetivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.
A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram jogadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.
Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek. 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

1975 - Moçambique proclama sua independência de Portugal


Movimento independentista foi visto por moçambicanos como o triunfo da liberdade sobre a opressão colonial portuguesa
Com a onda anticolonial espalhando-se por toda a África, diversos movimentos políticos clandestinos foram criados em favor da independência de Moçambique, o que ocorreu em 25 de junho de 1975. Movimento foi visto pelos moçambicanos como o triunfo da liberdade sobre a opressão colonial portuguesa.
A mais importante deles, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) iniciou uma campanha de guerrilha contra o governo português em setembro de 1964. Este conflito, juntamente com os outros dois já iniciados nas outras colónias portuguesas da África Ocidental Portuguesa (Angola) e da Guiné Portuguesa, tornou-se parte da chamada Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974). Do ponto de vista militar, o exército português manteve o controle dos centros populacionais, enquanto as forças de guerrilha procuraram espalhar a sua influência em áreas rurais no norte e oeste do país.
Wikicommons

Tropas portuguesas em Moçambique; algumas carregando a FN FAL e a G3
Após dez anos de guerra e com o retorno de Portugal à democracia com a Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974 e em seguida aos Acordos de Lusaka, a Frelimo assumiu o controle do território moçambicano. Após a independência, a maioria dos 250 mil portugueses que vivia em Moçambique deixou o país, alguns expulsos pelo governo, outros simplesmente fugindo.
O novo governo, sob a presidência de Samora Machel, estabeleceu um Estado unipartidário baseado em princípios marxistas e recebeu apoio diplomático e militar de Cuba e da União Soviética.

Propaganda lançada de avião pelos portugueses (Wikicommons)
Propaganda lançada de avião pelos portugueses (Wikicommons)
Guerra civil

Logo após a independência, o país foi assolado por uma guerra civil prolongada e violenta entre forças oposicionistas da anticomunista Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) e o regime marxista da Frelimo. Este conflito, combinado com a sabotagem de países vizinhos dominados por elites brancas como a Rodésia e a África do Sul do regime de apartheid, além de políticas ineficazes, falta de planeamento central e o colapso econômico resultante, caracterizaram as primeiras décadas de independência de Moçambique.
Este período também foi marcado pelo êxodo de cidadãos portugueses, pelo colapso da infraestrutura nacional, falta de investimentos em ativos produtivos e pela nacionalização pelo governo de indústrias privadas, além de várias crises de fome generalizadas. Durante a maior parte da guerra civil, o governo central foi incapaz de exercer controle efetivo fora das áreas urbanas do país, muitas das quais eram controladas a partir da capital, Maputo. Estima-se que a Renamo tenha controlado 50% das áreas rurais de várias províncias, levando a que os serviços de assistência médica fossem interrompidos por anos.
A guerra civil foi marcada por violações dos direitos humanos cometidas por ambos os lados do conflito, cenário que se tornou ainda pior quando a Renamo começou a usar táticas terroristas e a atacar civis indiscriminadamente. O governo central executou dezenas de milhares de terroristas ao tentar estender seu controle por todo o país, enviando muita gente para campos de reeducação.

Secessão
Durante a guerra, a Renamo propôs um acordo de paz baseado na secessão dos territórios do norte e oeste do país, que passariam a ser a República Independente da Rombésia, mas a Frelimo recusou-se a negociar e reivindicou a soberania sobre todo o território do país. Estima-se que um milhão de moçambicanos morreram durante a guerra civil, cerca de outros 1,7 milhão se refugiaram em países vizinhos e vários outros milhões tiveram que se deslocar internamente por conta do conflito. O regime da Frelimo também deu abrigo e apoio aos movimentos rebeldes africanos Congresso Nacional Africano da África do Sul e União Nacional Africana do Zimbábue, enquanto os governos da Rodésia e da África do Sul, na época sob o regime do apartheid, subsidiados por Washington, apoiavam as forças da Renamo.
Em 19 de outubro de 1986, Samora Machel voltava de uma reunião internacional na Zâmbia em um Tupolev Tu-134 quando o avião presidencial caiu nos Montes Libombos, perto da localidade sul-africana de Mbuzini. Dez pessoas sobreviveram, mas o presidente Machel e trinta e três outros tripulantes morreram, incluindo ministros e funcionários do governo moçambicano. A delegação soviética das Nações Unidas divulgou um relatório alegando que a sua visita tinha sido prejudicada pelos sul-africanos. Os representantes da União Soviética avançaram com a teoria de que o avião tinha sido desviado intencionalmente por um sinal VOR, usando uma tecnologia fornecida por agentes de inteligência militar do governo sul-africano.
Paz
O sucessor de Machel, Joaquim Chissano, implementou mudanças radicais no país por meio de reformas, como a mudança do sistema socialista para o capitalista, dando início a negociações de paz com a Renamo.
A nova constituição moçambicana, promulgada em 1990, previa um sistema político multipartidário, uma economia baseada no livre mercado e eleições livres. A guerra civil terminou em outubro de 1992 com o Acordo Geral de Paz, que foi mediado primeiramente pelo Conselho Cristão de Moçambique (CCM) e depois assumido pela Comunidade de Santo Egídio. Sob a supervisão das forças de manutenção da paz das Nações Unidas, a paz voltou a Moçambique, mas não os gravíssimos problemas econômicos e sociais.
Até 1993, cerca de 1,5 milhão de refugiados moçambicanos tinham procurado asilo em países vizinhos como Malaui, Zimbábue, Suazilândia, Zâmbia, Tanzânia e África do Sul como resultado da guerra civil e da prolongada estiagem.
Fonte: Opera Mundi

quarta-feira, 21 de junho de 2017

1948 - Disco LP é lançado e inaugura nova era da indústria fonográfica


Os novos discos de vinil eram mais leves, maleáveis e resistentes a eventuais quedas e batidas; advento marcou uma nova era da indústria fonográfica
A era de ouro do disco de vinil teve início no final da década de 1940 e se estenderia até o final dos anos 80. No dia 21 de Junho de 1948, a Columbia Records apresentava ao público no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, o disco LP (Long Play) de 33 1/3 rpm (rotações por minuto). A revelação tornou ultrapassados os antigos discos de acetato, de 78 rotações.
Os novos discos de vinil eram mais leves, maleáveis e resistentes a eventuais quedas e batidas. No entanto, a grande novidade é que poderia armazenar um número muito maior de canções, em vez de uma canção por face dos discos anteriores, a par de uma melhor qualidade sonora.
WikiCommons

O Long Play também poderia ser fabricado nos tamanhos de 10' ou compactos de 7'
No ano seguinte, a RCA Victor lançaria o primeiro LP de 45 rpm. As rotações foram diminuindo e se consolidava o disco de vinil, um novo, mais qualificado e econômico meio de reprodução musical.
Produzidos com micro-sulcos em forma espiral, permitiam que a agulha do toca-discos lesse a informação gravada. A vibração provocada pelo toque da agulha no disco era transformada em sinal elétrico que, amplificado, reproduzia a música.
O presidente da Columbia, Ted Wallerstein, apresentou aos seus engenheiros e assessores uma ideia bastante simples: gostaria de ouvir todo um movimento de uma sinfonia em um único lado do álbum. Ward Botsford, escrevendo para o High Fidelity Magazine, relatou: "Ele não foi o inventor, foi simplesmente um homem que lançou uma ideia em boa hora, convencendo centenas de seus colaboradores a dar vida a um avanço na indústria fonográfica".
Em 1948, a Columbia apresentou o formato de gravação Long Playing "microssulco" LP, que girava a 33⅓ rotações por minuto, o que viria a ser o padrão para os toca-discos por cerca de meio século. No começo dos anos 1940, a  Columbia havia tentado com gravações em alta fidelidade, o que pavimentou o caminho para o lançamento bem-sucedido do LP em 1948. Um dos discos que ajudou a firmar o novo padrão para os amantes de música foi a regravação em LP de dez polegadas do The Voice of Frank Sinatra (A Voz de Frank Sinatra), o primeiro álbum pop gravado no novo formato, originalmente prensado em março de 1946 em álbum de quatro discos de 78 rpm.
Os novos LPs da Columbia eram particularmente adequados às longas peças de música clássica. Os primeiros álbuns apresentaram artistas como Eugene Ormandy e a Orquestra Sinfônica de Filadélfia; Bruno Walter e a Orquestra Filarmônica de Nova York e Sir Thomas Beecham e a Royal Philarmonic Orchestra. O sucesso de tais discos finalmente persuadiu a CapitolRecords a lançar seus LPs em 1949. A RCA Victor fez o mesmo em 1950, seguida imediatamente por outros grandes selos: Decca na Inglaterra e Deutsche Gramophon na Alemanha.
Ao longo dos anos, a Columbia juntou-se à Decca e à RCA Victor especializando-se em álbuns dedicados aos musicais da Broadway com os cantores dos elencos originais. Nos anos 1950, a Columbia começou também a lançar LPs com as trilhas sonoras de filmes de sucesso.
Com o advento do CD (Compact Disc) nos anos 1980, o vinil parecia tornar-se obsoleto. Ao contrário do novo meio, os LPs eram frágeis e qualquer arranhão poderia prejudicar a qualidade sonora. Precisavam ser ainda constantemente limpos e guardados na vertical. O CD, por seu lado, o primeiro meio digital, era mais duradouro, fidedigno e com maior capacidade de armazenamento.
Apesar das evidentes vantagens, o vinil continua subsistir e parece ter ganhado força nos últimos anos. Mesmo com o advento da internet, com os álbuns sendo facilmente descarregados, e o declínio da indústria fonográfica, as lojas de música resistem em aposentar os vinis. Ao contrário, as lojas voltam a dar grande destaque às bolachas, mantendo viva a cultura do vinil.
Esse culto está muito ligado à rivalidade entre o digital e o analógico. Os puristas defendem que o meio digital não tem tanta qualidade quanto o analógico porque elimina as freqüências mais altas e mais baixas, excluindo os ecos e as batidas graves e tornando a música menos natural.
Os colecionadores interessam-se muito mais pelo vinil que pelos CDs. É que nos anos 1970, as capas eram objeto de um cuidado artístico esmerado. Tornavam-se tão importantes e minuciosas que os fãs lhes dedicavam horas para tentar descobrir os menores detalhes escondidos.

1948: Iugoslávia é expulsa do Kominform

A 21 de junho de 1948, os países do Kominform impuseram um boicote econômico à então Iugoslávia, que se opunha à influência de Stalin. A intenção era levar o país ao caos e possibilitar uma intervenção.
Josip Broz Tito
Josip Broz Tito
Bucareste, junho de 1948. Três anos após o término da Segunda Guerra Mundial, o ditador soviético Josef Stalin havia consolidado sua influência em quase todos os países do Leste Europeu. A única exceção era a Iugoslávia que, sob a liderança do socialista Josip Broz Tito, resistia à tentativa soviética de transformá-la num Estado-satélite.
A linha independente do comunismo iugoslavo gerara um conflito entre Moscou e Belgrado que, em junho de 1948, chegava a seu ápice. A Liga dos Comunistas da Iugoslávia (LCI) boicotava a reunião do Kominform (Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), realizada na capital romena. Em consequência, a Liga foi expulsa da agremiação, através de resolução aprovada por unanimidade pelo Kominform.
Os comunistas iugoslavos foram acusados de "nacionalismo burguês, comportamento antissoviético e dissidência esquerdista". A resolução terminava com uma ameaça: "A tarefa das forças saudáveis da Liga dos Comunistas da Iugoslávia consiste em admitir aberta e sinceramente seus erros (...) e, caso a atual direção da LCI seja incapaz de fazer isso, em derrubá-la e substituí-la por uma direção internacionalista."
No dia seguinte, o jornal britânico Telegraf publicou a seguinte manchete: "Stalin rompe com Tito; Tito acusado de trotzkismo".
A opinião pública, tanto na Europa Ocidental como na Oriental, ficou agitada. Como Belgrado iria reagir à afrontosa resolução? Rejeitar a "autocrítica" cobrada pelos demais partidos comunistas significaria uma insubordinação à potência soviética e teria consequências desastrosas para a economia iugoslava. Na época, 50% do comércio externo e quase todos os financiamentos para o plano quinquenal dependiam da União Soviética.
Iugoslávia rompe com Moscou
Apesar dos riscos, Tito rompeu com Moscou. A direção do PCI negou-se a reconhecer a resolução do Kominform, considerando-a errônea. A 3 de junho de 1948, a agência de notícias estatal Tanjug publicou a seguinte posição do PCI:
"A crítica feita na resolução baseia-se em afirmações imprecisas e infundadas e é uma tentativa de destruir a imagem do Partido Comunista da Iugoslávia no exterior e no país, de gerar confusão junto às massas nacionais e ao movimento operário internacional".
A ruptura entre Tito e Stalin era previsível. Eles já haviam tido divergências durante a Segunda Guerra Mundial. À exceção de Belgrado, reconquistada com a ajuda do Exército Vermelho, os iugoslavos livraram-se sozinhos da ocupação nazista. Apesar disso, o Exército Vermelho apresentou-se como "o libertador". Ao mesmo tempo, Stalin infiltrou agentes secretos na LCI para controlar setores estratégicos da economia iugoslava.
Quando Tito negociava a formação de uma confederação balcânica com o líder do Partido Comunista búlgaro, Giorgi Dimitrov, Stalin reagiu imediatamente. Em fevereiro de 1948, propôs a formação de uma confederação com a Bulgária, que lhe era submissa. Tito rejeitou o plano, a 13 de abril de 1948, com a seguinte argumentação:
"Aprendemos muito com o exemplo do sistema soviético, mas até certo grau construímos o socialismo em nosso país de outra forma. Não fazemos isso para mostrar que nosso caminho é melhor do que aquele seguido pela URSS ou para demonstrar que inventamos algo novo, mas, sim, porque o cotidiano nos força a esse procedimento".
Temendo as consequências econômicas da ruptura com Moscou e da influência do ocidente capitalista sobre a Iugoslávia, Tito ainda tentou moderar seu discurso. Na prática, porém, passou a receber ajuda econômica do Ocidente.
Tito tinha as cartas na mão
Ao contrário do que se esperava, Moscou não interveio imediatamente na Iugoslávia. Os países do Kominform decretaram um amplo boicote econômico, para provocar uma rebelião popular e o caos econômico, a fim de justificar uma eventual intervenção.
Mas esse plano falhou. Tito tinha duas cartas na mão: a localização geopoliticamente estratégica do país e um acordo firmado em 1944 entre Churchill e Stalin, que previa a divisão do Sudeste Europeu em zonas de influência ocidental e oriental.
A Iugoslávia adotou a chamada "terceira via". A reconciliação com a URSS, em 1956, não alterou a linha do comunismo iugoslavo, que diferia do modelo soviético pela manutenção da propriedade privada no campo e pela autogestão dos trabalhadores nas indústrias. Na política externa, o país se manteve independente em relação aos blocos comunista e capitalista, o que o transformou em importante fator político, nas três décadas seguintes.
Com a morte de Tito, em 1980, começou a desagregação da Iugoslávia, agravada com a derrocada do comunismo no Leste Europeu, em 1989/90, e com seguidos movimentos e guerras de independência que levaram Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina a se separar da Iugoslávia.
  • Autoria Verica Spassovska (gh)
  • Link permanente http://p.dw.com/p/1FUR

terça-feira, 20 de junho de 2017

II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural

II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural
Dia 09/08/17 Local: IFCH 
Linha de Pesquisa Espaço, Economia e Sociedade do PPGH/UPF
Informações: iropm@upf.br

TEMA
O II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural tem como eixos temáticos centrais o Mundo Rural, a Propriedade e os Movimentos socioambientais na pesquisa histórica. O seminário propõe um balanço das trajetórias de pesquisa de docentes e discentes vinculador ao NEHMuR. As experiências serão discutidas como expressão da diversidade social e regional que permeia as distintas dinâmicas territoriais como objeto de estudo.

OBJETIVO
Discutir as temáticas, metodologias e teóricas dos estudos e pesquisas através da relação entre à história agrária, história da agricultura, história ambiental, ocupação e apropriação da terra, conflitos fundiários, movimentos sociais, fronteiras agrárias e políticas, relações socioculturais, socioambientais e grupos sociais rurais. A perspectiva que aproxima e aglutina estes estudos é a do mundo rural no Sul do Brasil, em interação com os demais territórios platinos. Na interface entre história, antropologia, geografia, sociologia rural e direito o grupo tem procurado discutir as várias realidades rurais do país, na perspectiva do regional em seus múltiplos desdobramentos.

METODOLOGIA:
a)    Debate da obra LINHARES, Maria Yedda e SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Terra Prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
b)    Síntese- balanço das trajetórias de pesquisa, com encaminhamento para o III Seminário. 

1942: Tropas nazistas conquistavam Tobruk, na Líbia

Em 20 de junho de 1942, as tropas alemãs iniciaram o ataque decisivo ao porto líbio de Tobruk, cuja importância era estratégica para o avanço do Afrikakorps de Hitler. A batalha foi o ponto alto da carreira de Rommel.
 Erwin Rommel na Líbia em junho de 1942
Às 5h20 da manhã de 20 de junho de 1942, o Afrikakorps alemão atacou a cidade portuária de Tobruk, na Líbia. Sob o comando do general Erwin Rommel, uma infantaria e duas divisões de tanques, apoiadas pela Força Aérea e pelo 20º Exército italiano, abriram fogo.
Por volta das 9 horas, os agressores atingiram o cruzamento da Via Balbia com a estrada para El Adem, chamada King's Cross pelos ingleses. A contraofensiva da 32ª brigada de tanques britânicos chegou tarde demais. Com a tomada do King's Cross, às 13h30, a queda de Tobruk estava praticamente selada.
A resistência ainda continuou até o dia seguinte. Vinte e quatro horas depois do primeiro tiro, os alemães chegaram ao porto. Um correspondente de guerra narrou assim os acontecimentos: "São 5h10 da manhã. Começou o segundo dia da batalha por Tobruk e, a verdade, ele prenuncia o fim da operação. A noite passada foi iluminada pelos lança-chamas. Agora, aqui no porto de Tobruk, ergue-se uma enorme coluna de fumaça, uma parede que se estende de Leste a Oeste. A nuvem de fumaça sobe de um depósito de petróleo, incendiado por soldados em fuga. Ela paira como um sinal de infortúnio sobre a fortaleza".
Valor estratégico para abastecimento
Tobruk, que em tempos de paz tinha só uma população de 4 mil habitantes, situa-se na costa da Líbia, junto a uma ampla baía de águas profundas. Era, portanto, um dos melhores portos naturais da costa norte-africana, o que lhe dava um imenso valor estratégico como centro de abastecimento. Foi disputadíssima durante toda a Segunda Guerra Mundial. Utilizada primeiramente pelos italianos como base para seus ataques à Cirenaica, em janeiro de 1941 passou ao controle dos ingleses.
Rommel já havia tentado ocupar Tubruk um ano antes. Na ocasião, as tropas inglesas no norte da África, enfraquecidas por perdas sofridas na Grécia, tiveram de recuar até a fronteira do Egito, mas conseguiram defender Tobruk. Rommel fracassou devido a excessivas perdas no flanco sul e porque Tobruk era abastecida constantemente pelo mar. Além disso, foi surpreendido pela resistência de unidades neozelandesas, que se destacaram por sua bravura na defesa do porto, como lembra o historiador Barton Maughan. Depois de sitiar a cidade durante 242 dias, Rommel viu-se obrigado a interromper a campanha.
Esse fiasco, porém, não deveria se repetir em junho de 1942. A Operação Veneza, destinada a expulsar os ingleses da África do Norte, tinha sido mais bem preparada. Subestimando o significado estratégico de Tobruk, os ingleses haviam deixado ali apenas a inexperiente segunda divisão sul-africana. Desta vez, as tropas alemãs levaram apenas um dia para conquistar a cidade. Às 6h30, o comandante da fortaleza, general Klopper, entregou-se aos nazistas, fato que a rádio oficial alemã registrou com a seguinte notícia:
"Do quartel geral do Führer, 21 de junho de 1942. O comando superior da Wehrmacht (Forças Armadas) informa: tropas alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel, tomaram a maior parte da cidade de Tobruk. Em consequência, um parlamentar inglês propôs a comandantes do Exército italiano a entrega da fortaleza. A cidade e o porto estão ocupados. Até agora, foram presos mais 25 militares, entre eles vários generais, e apreendido um volume inestimável de armas."
A conquista de Tobruk representou o auge da carreira de Rommel. Mas sua tentativa de avançar até o Egito fracassou. Na primeira batalha de El Alamein, o Afrikakorps foi contido e derrotado pelos ingleses. Outra consequência da batalha de Tobruk foi a nomeação do general Bernhard L. Montgomery para o comando do 8º Exército dos Aliados, que também acabaria sendo promovido a marechal de campo por suas vitórias no norte da África.
  • Autoria Dirk Kaufmann (gh)
  • Link permanente http://p.dw.com/p/1FUO

segunda-feira, 19 de junho de 2017

CURSO DE EXTENSÃO – “DOMÍNIOS DA HISTÓRIA”


CURSO DE EXTENSÃO –
“DOMÍNIOS DA HISTÓRIA: ENSAIOS DE TEORIA E METODOLOGIA”

Carga Horária: 40h.
Realização: Segundo semestre de 2017 (agosto a novembro).

Justificativa: O Projeto de Curso de Extensão “Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia” possibilitará aos acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação em História o estudo e o debate acerca de questões de ordem teórica e metodológica.

Objetivos:
- Debater e refletir sobre questões de ordem teórica e metodológica e seus impactos na historiografia.
- Instrumentalizar teoricamente e metodologicamente os acadêmicos para o exercício da pesquisa histórica.

Número de Vagas: 60
Valor da inscrição: R$ 10,00 (dez reais).
Período de inscrições: 20 de junho a 1º de agosto pelo site UPF (https://secure.upf.br/eventos/eventos/207)

CRONOGRAMA DOS ENCONTROS
Horário dos encontros: quintas-feiras, das 17h às 18h30min - Local: IFCH – Sala: a definir.

03-08 - 1. Entendendo como funcionam os diversos campos de saber – Prof. Alessandro Batistella
10-08 - 2. História e Poder – Prof. Adelar Heinsfeld
24-08 - 3. História Social – Prof. Alessandro Batistella
31-08 - 4. História Econômica – Prof. Adelar Heinsfeld
14-09 - 5. História das Mentalidades e História Cultural – Profª Gizele Zanotto e Profª Marlise Meyrer
28-09 - 6. História das Ideias – Prof. Alessandro Batistella
05-10 - 7. História das Mulheres – Profª Marlise Meyrer
19-10 - 8. História Agrária – Profª. Ironita Machado
26-10 - 9. História e Etnia – Prof. João Carlos Tedesco
09-11 - 10. História das Religiões e Religiosidades – Profª. Gizele Zanotto
23-11 - 11. História das Paisagens – Prof. Marcos Gerhardt

Bibliografia básica:
BARROS, José D’Assunção. Teoria da História: princípios e conceitos fundamentais. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2013, v. 1.
CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

1953: Estados Unidos executam o casal acusado de espionagem

No dia 19 de junho de 1953, o casal Julius e Ethel Rosenberg foi executado na prisão de Sing Sing, em Nova York. Eles eram acusados de ter repassado aos soviéticos informações sobre a bomba atômica.
Spionage Julius und Ethel Rosenberg (picture alliance/dpa)
Para compreender a execução do casal Julius e Ethel Rosenberg, em 1953, é preciso retroceder vários anos. Às 8 horas do dia 17 de julho de 1950, agentes do FBI bateram à porta do apartamento da família Rosenberg em Manhattan. Julius Rosenberg, 32 anos, nem teve tempo para terminar a higiene matinal. Foi preso ainda com espuma de barbear no rosto.
Esse era o desfecho de uma série de episódios que tiveram início logo no começo da Guerra Fria. Em agosto de 1945, a bomba atômica explodiu em Hiroshima, selando a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Em seguida, começou o conflito Ocidente-Oriente e surgiu a Cortina de Ferro. Os espiões russos e norte-americanos se esforçavam por descobrir os segredos militares e nucleares do adversário.
Paranoia anticomunista
A primeira bomba atômica russa explodiu quatro anos depois de Hiroshima e Nagasaki, em 28 de agosto de 1949. Enquanto a opinião pública se mostrava perplexa diante da demonstração de poder dos russos, a CIA começou a se questionar como os soviéticos haviam tido acesso aos segredos nucleares.
Em fevereiro de 1950, foi preso o cientista britânico Klaus Fuchs, que havia participado do projeto nuclear americano. Ele revelou ter passado dados importantes sobre a produção da bomba a agentes russos. A revelação desencadeou uma série de prisões, até se chegar ao soldado David Greenglass, irmão de Ethel Rosenberg.
Greenglass confessou haver entregue a Julius Rosenberg várias ilustrações das lentes especiais, desenvolvidas para a bomba no laboratório de Los Alamos. A prisão dos Rosenberg aconteceu em plena época de histeria anticomunista nos Estados Unidos. Qualquer pessoa que alguma vez tivesse manifestado qualquer simpatia pelo regime soviético era considerada suspeita.
Assassino de 50 mil soldados
O processo que se seguiu foi marcado por essa histeria. O caso Rosenberg teria de ser exemplar. Julius alegou inocência, mas foi incriminado por uma série de testemunhas. O juiz Irving Kaufman considerou o crime "pior que assassinato" e responsabilizou Rosenberg pelos 50 mil soldados mortos na Guerra da Coreia, eclodida em virtude da ameaça nuclear russa.
Apesar de a União Soviética ter negado qualquer envolvimento com Rosenberg, ele e a esposa foram condenados à cadeira elétrica no dia 5 de abril de 1951. Nos dois anos seguintes, seu advogado tentou de tudo para reverter a sentença. A opinião pública mundial protestou, o papa Pio 12 interveio, tudo em vão.
O casal foi um símbolo tanto para a esquerda como para a direita. Para uns, representou a injustiça capitalista; para outros, a ameaça comunista. No dia 19 de junho de 1953, Ethel e Julius Rosenberg foram executados na cadeira elétrica da prisão de Sing Sing. Só em 1997, Alexander Feklisov, ex-superagente russo e contato de Julius Rosenberg, confirmou que este havia sido espião, mas Ethel nunca soubera de nada.
  • Autoria Jens Teschke (rw)
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domingo, 18 de junho de 2017

1953: Proclamação da República do Egito

No dia 18 de junho de 1953, o general Mohammed Nagib proclamou a República do Egito, após destronar o rei Faruk através de um golpe millitar.
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A última página da história da monarquia egípcia foi virada um ano antes da proclamação da república no país. Com um golpe militar sem derramamento de sangue, os chamados “oficiais livres” tomaram o poder no dia 23 de julho de 1952, depondo o rei Faruk. Após uma série de calorosos debates, os golpistas decidiram não condenar o monarca à morte, que foi então enviado ao exílio na Itália.
O antigo rei não deveria nunca mais retornar ao país, embora a monarquia continuasse existindo oficialmente, uma vez que a república só seria proclamada em 18 de junho do ano seguinte. Uma junta foi designada para substituir o dono da coroa, embora o cargo tivesse se esvaziado de qualquer poder. O governo, na verdade, passou às mãos dos golpistas, que há anos trabalhavam pela liberação do Egito da tutela britânica e do domínio da aristocracia.
Membros de várias correntes políticas formavam a Sociedade dos Oficiais Livres: socialistas, nacionalistas e até participantes da organização islâmica Irmãos Muçulmanos. A liderança era exercida por Gamal Abdel Nasser, filho de um funcionário público egípcio, que após sua formação na Academia Militar começou a recrutar forças revolucionárias entre seus correligionários.
Estes, assim como Nasser, vinham de famílias simples e transformaram-se, através da carreira na Academia Militar, fundada pelos ingleses, na nova elite do país.
Após a fundação de Israel
O pano de fundo do golpe foi, por um lado, a rejeição aos ingleses e, por outro, a intenção de proclamar a “verdadeira independência egípcia”. Essas razões levaram boa parte dos oficiais a simpatizar, durante a Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha nazista.
O grande desafio para os novos detentores do poder foi a fundação de Israel em 1948. O Estado judaico foi encarado como uma provocação dos países colonizadores e entendido como manobra destes para garantir influência no Oriente Médio.
A derrota na primeira guerra contra Israel não foi considerada uma vergonha para o país, mas creditada à má vontade do rei em vencer o conflito. O regime corrupto do monarca teria sido responsável pela aquisição de armas ineficazes e estas teriam contribuído para a derrota do Egito. A luta contra a corrupção foi, por isso, uma das principais tarefas empreendidas pelos oficiais e uma das razões que levaram à revolução em 1952.
Golpe militar
O general Muhamed Nagib, que após o golpe tornou-se o número um do Conselho do Comando Revolucionário, afastou Nasser do centro de decisões. Nagib, então com 51 anos, era o mais velho dos golpistas e gozava de boa reputação entre os oficiais mais novos, principalmente por ter sido um crítico feroz no período pré-revolucionário.
Os oficiais tentaram iniciar um trabalho conjunto com os políticos do país. Pouco tempo depois, Nagib alertava para o perigo de uma nova ditadura, uma vez que muitos dos responsáveis pela corrupção do governo anterior continuavam em seus postos. Sete “comitês de limpeza” demitiram 800 civis e cem militares até agosto de 1953.
Logo surgiram, no entanto, conflitos entre os militares, que os levaram à disputa acirrada pelo poder. Nagib, contrário à ideia de os militares assumirem todos os negócios do governo, reprimindo por completo o papel dos civis, prezava por outro lado sua imagem e influência como figura emblemática da revolução.
Em fevereiro de 1954, eclodiu o conflito entre Nagib e Nasser. Este saiu vitorioso, tirou o poder das mãos de Nagib, assumiu o controle do Estado, instaurou uma censura rigorosa e aboliu os partidos políticos.
A tentativa de resistência de Nagib fracassou e no final de 1954 nem mais seu prestígio perante a opinião pública lhe foi útil. Seu passado serviu, quando muito, para salvá-lo do pior, uma vez que Nasser condenou-o à prisão domiciliar para o resto de sua vida.
  • Autoria Peter Philipp (sv)
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy

No dia 16 de junho de 1958 foi executado o primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy. Durante a Revolução Húngara de 1956, ele defendeu a autonomia do país em relação à União Soviética e reformas democráticas.
Imre Nagy
Nascido em 7 de junho de 1896, o húngaro Imre Nagy participou do movimento revolucionário camponês em seu país, antes de emigrar para a União Soviética em 1929, onde viveu muitos anos.
Em 1944, ingressou no Politburo do Partido Comunista e, de volta à Hungria, assumiu o Ministério da Agricultura, realizando uma reforma agrária radical. Por simbolizar o "novo rumo" do socialismo humano, foi nomeado primeiro-ministro em 1953. Mas ocupou o cargo por pouco tempo: dois anos mais tarde, era derrubado pelos stalinistas.
Estudantes nas ruas
No início de 1956, o presidente soviético Nikita Kruchov condenou os métodos stalinistas, reacendendo as esperanças de maior autonomia nos países do bloco. Os trabalhadores poloneses começaram a protestar. Em solidariedade, estudantes húngaros saíram às ruas em 23 de outubro, derrubando uma enorme estátua de Stalin durante os protestos.
O protesto estudantil desembocou numa rebelião popular contra a ocupação soviética da Hungria. Até as Forças Armadas e a polícia participaram das manifestações. Com a revolução nas ruas, o governo caiu, e Nagy foi recolocado no cargo de premiê. Ele reconheceu a revolução no dia 28 de outubro, formou um governo suprapartidário e passou a defender uma democracia parlamentar e a neutralidade política para a Hungria.
Exército Vermelho reimpõe Pacto de Varsóvia
No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, extinguiu a censura e anunciou a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos países do bloco comunista durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. János Kádár, primeiro-secretário do PC húngaro e membro do gabinete de Nagy, começou a negociar com Moscou, revogando os poderes do primeiro-ministro.
A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em 7 de novembro, Kádár chegou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros fugiram para a embaixada da Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár prometeu que não haveria punição.
A promessa não se cumpriu. Nagy foi preso pela KGB e deportado para a Romênia, por se negar a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste. Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958.
Para que ninguém o venerasse na sepultura, foi enterrado em sigilo. Imre Nagy só foi reabilitado em 1989, após o fim do regime Kádár.
  • Autoria Gábor Halázs
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