quarta-feira, 26 de julho de 2017

1882: Estreia de "Parsifal", última ópera de Wagner

No dia 26 de julho de 1882 estreava "Parsifal", última ópera de Richard Wagner. O herói, o "tolo puro", é um dos cavaleiros da Távola Redonda, coroado rei do Santo Graal após encontrar a maturidade no contato com o mal.
Richard Wagner Holographie (picture-alliance/dpa)
Diz a Bíblia que, antes de ser crucificado, Cristo se reuniu com seus discípulos para a Última Ceia. O Graal, o copo de que ele bebeu o vinho, foi o mesmo que recolheu suas últimas gotas de sangue. Ao ser crucificado, Cristo foi ferido no flanco pela lança de um centurião. Nesse momento, uma mulher riu.
O centurião e a mulher foram amaldiçoados por Deus. Com os nomes Klingsor e Kundry, eles percorreram os séculos em diferentes reencarnações, da mesma forma que a lança e o Graal, as mais sagradas relíquias do cristianismo.
O Graal e o "tolo puro"
Os dois objetos encontravam-se sob a guarda da misteriosa cavalaria do rei Amfortas. Klingsor roubou a lança e com ela feriu o rei, provocando uma chaga que não cicatrizava.
Somente alguém despojado de toda maldade, um "tolo puro", poderia salvar Amfortas. O jovem Parsifal havia crescido longe do contato com a civilização, era inocente, livre de culpas e de maldade.
Mas ainda não estava apto a salvar o rei: antes, precisava conhecer todas as facetas da alma humana e aprender a viver. Só após adquirir a maturidade, ele pôde salvar Amfortas e tornar-se seu sucessor como rei do Santo Graal.
Richard Wagner (1883-1813) descobriu o mito de Parsifal através do autor Wolfram von Eschenbach. Ele preparou então um rascunho de libreto e enviou-o a seu grande amigo, o rei Ludwig 2º, da Baviera. Este ficou fascinado e escreveu de volta: "Oh Parsifal, quando você irá nascer?".
Salvação através do amor
O rei da Baviera precisou esperar 25 anos até que Wagner concluísse a ópera. Durante esse longo período, o compositor conseguiu produzir uma obra que integra mitos cristãos, filosofia ocidental e doutrinas de reencarnação budista. E seu leitmotiv favorito: a redenção através do amor.
Wagner criou sozinho esse Gesamtkunstwerk – a obra de arte total. De sua autoria é não apenas a música como também o libreto dessa obra singular.
A estreia de Parsifal aconteceu no dia 26 de julho de 1882, no Festival de Bayreuth. A ópera foi regida pelo próprio criador, levando o público ao delírio.
Parsifal foi a última ópera de Richard Wagner. Os anos de dedicação consumiram toda sua energia. O compositor morreu do coração poucos meses após a gloriosa estreia.
  • Autoria Catrin Möderler
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